17abr

Essa edição acima foi a edição da TAG – Experiências Literárias de Março/2017 e foi minha última leitura antes do feriado da semana passada, escolhi os contos de Angela Carter para encabeçar essa semana de abril que terá mais dois carimbos/resenhas (Huhuh! PL voltando a ter resenhas/textos das minhas leituras. Já posso ouvir um amém?). Eu já estava com saudades de trazer carimbos aqui para o blog e espero que vocês gostem e se sintam parte das minhas leituras a cada linha lida aqui.

A Câmara Sangrenta e outras histórias foi meu primeiro contato com a escrita da Angela Carter e posso dizer que há algo de muito válido nessa leitura mesmo que ela não tenha sido nem de longe esplendorosa ou magnífica como imaginei que seria, e no consenso geral dos associados da TAG essa foi a impressão que ficou,  um livro que prometia uma coisa e no final infelizmente ele não atendeu essas expectativas. Expectativas, desde sempre nos brindando com leituras medianas, não é?

Enfim, A Câmara Sangrenta é um livro de contos que traz um novo olhar sobre o papel feminino em contos já conhecidos do público como Chapeuzinho Vermelho, Gato de Botas e outros, e há também outras criaturas do imaginário literário como os vampiros. Mas não pense que os contos são releituras comuns, na verdade a autora pegou alguns aspectos dessas histórias já populares e os moldou à sua visão com um toque  gigante de sensualidade e erotismo que eu não esperava encontrar nessa leitura. Imagino que na época da publicação deve ter sido um “auê” uma mulher escrever assim (mas essa era Angela Carter, a autora que jamais se adequaria ao que era “previsto na época para o papel da mulher”).

Obriguei-me a ser sedutora. Vi-me pálida, flexível como uma planta que implora para ser pisada pelos homens, uma dúzia de garotas vulneráveis refletidas no mesmo número de espelhos, e vi que ele quase não conseguia resistir.

O trecho acima destacado é do conto que dá nome ao livro e também é o mais extenso e talvez esse seja um dos fatos que fazem dele o “queridinho” da maioria (Sério, ninguém merece conto que na melhor parte acaba e fica por isso mesmo, lembrei agora o porquê de ter poucos livros de contos na minha estante), gosto do desenrolar do primeiro conto  que dá nome ao livro mas prefiro os contos A Noiva do Tigre (Como pano de fundo A Bela e a Fera) e O Gato de Botas, esse último que grifei como preferido tem uma veia cômica bastante interessante e o final é bastante inusitado, e na verdade todos os contos são inusitados. Nada é como você espera que seja e algumas vezes senti que apesar da escrita incrível da Angela Carter alguns contos ficaram perdidos ao léu.

Para mim, além da edição exclusiva da TAG do livro, a escrita da autora é o ponto alto do livro. Realmente consegui me transportar para o imaginário dela, e em cada página é uma efusão de detalhes precisos que até o cheiro dava para imaginar com o trabalho descritivo que ela teve ao contar/recontar os contos, encontrei poucos autores que conseguiram esse feito comigo e se eu fosse eleger a parte boa da minha leitura seria o jeito dela descrever os cenários, clima e sensações dos seus protagonistas.

Mas nem tudo são flores e imaginei que o livro teria uma voz voltada para o empoderamento feminino (E ele existe no livro) só que acabei lendo contos que não me disseram nada e outros contos que pensei que deveria saber algum segredo/alguma peculiaridade escondida para entender realmente o que a autora quis dizer com ele. Perdida fiquei e teve um conto que sinceramente ainda estou procurando o sentido dele ali. O tal conto me deixou meio em choque e A Filha da Neve não me causou uma boa impressão, mas acho que esse era o objetivo da autora, sabe? Incomodar e fazer ver que há outro olhar e outras possibilidades de se escrever sobre a força feminina.

Uma pena o resultado de alguns contos ter ficado aquém do que eu esperava, mas nem por isso vou desistir de ler contos e minha próxima leitura da TAG é o dos contos do Edgar Allan Poe que foi entregue na caixa de outubro/2016 (Acho que foi nessa caixa, não tenho certeza de nada…). Vamos que vamos!

Galera, para mais fotos dessa edição lindíssima da TAG é só acessar o Instagram do PL (E se gostar segue lá).

Beijos e até a próxima.

P.S.: Adicione o livro no skoob!

 

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4 Comentários

  • Kemmy Oliveira
    abr 19, 2017

    Que edição mais linda! Eu vi fotos dela nas propagandas da TAG mas não fazia ideia do que se tratava.
    Não sou muito chegada a contos e de fato quando temos muitas expectativas sempre acabamos “quebrando a cara”. É triste, mas é verdade. Não conhecia essa autora mas adorei saber que ela não se adequava ao que era previsto para uma mulher. Adoro ler livros de autoras e/ou com personagens assim!
    É uma pena que alguns contos tenham ficado meio perdidos, mas acho que é assim mesmo, nem sempre vamos gostar de toooodos os contos de um livro

    Beijos!

  • Jennifer Silva
    abr 18, 2017

    Oi, Jhey! Que capa maravilhosa, meninaa! Não sabia que era um livro de releituras dos contos clássicos e fiquei bem curiosa, ainda mais por ter uma pegada mais adulta. Parece ser um livro envolvente e viciante. Sua resenha está ótima e vou adicionar com certeza esse livro na minha lista haha. E espero ansiosa pela próxima resenha, do livro do Poe, sou louca para ler as obras dele haha, bjss!

  • Larissa Dutra
    abr 18, 2017

    Olá, tudo bem? Sempre quis assinar essa caixinha literária, mas ultimamente estou sem verbas (hahahaha). Adorei saber sua opinião e fiquei doida para ler esse livro!

  • Patricia FQ
    abr 18, 2017

    Não leio muitos contos mas gosto, tem horas que quero chegar ao final rápido. Alguns acabam sendo superficiais e o final acontece muito de repente, mas gosto de me arriscar, a maioria me agrada. Nunca li Poe mas deve ser incrível.